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A cafeteira a pedal

A cafeteira a pedal

A minha filha já namora...e agora?

 

 

... e eis que chega o temido dia. Vem a pequena (que já está maior do que eu) ter comigo com cara de caso, dizendo que tem uma coisa muito importante para me contar: Mamã, eu tenho um namorado... - diz-me ela com um súbito rubor nas faces.

Enquanto ela aguarda pela minha reação, vem-me um milhão de pensamentos à cabeça. Já me tinha ocorrido que qualquer dia algo no género aconteceria, afinal se a rapariga é bonita, jeitosa e simpática, é natural que comece a despertar o interesse do sexo oposto, mas... apesar de não parecer, ela só tem 11 anos! O corpinho de sereia, mais apropriado a alguém de 15, não esconde o que ela é na realidade: uma menina!

E enquanto tento pensar rápido, consciente que entramos num novo ciclo, pondero cuidadosamente a minha reação. Nessa ponderação ganha peso um fator importante: ela não guardou segredo de mim. Começa então a delinear-se a estratégia a adotar: uma postura confiante que incentive o diálogo e abertura para que ela continue a ver a mãe como uma amiga. No entanto, como educadora, senti uma igual necessidade de impôr algumas regras. Se assim não fosse, a minha displicência poderia levar a um mau começo.

Enquanto vou articulando o meu discurso de normalidade, vou enumerando as regras.

Primeiro: nada de beijinhos ou abraços, tens 11 anos, ele é apenas um amigo especial - digo-lhe - riam, conversem, almocem e lanchem juntos, troquem mensagens mas... e isto leva ao ponto 2, também não precisam andar de mão dada (mais uma vez, ele é um amigo, AMIGO!), guardem isso para quando forem maiores (será que estou a exagerar?? pergunto-me eu enquanto disfarço o meu nervosismo). Por fim (ponto 3), isto é uma situação perfeitamente normal (digo-lhe recordando que no meu tempo caíria o Carmo e a Trindade), por isso, ajam de forma normal, o que significa que não vos quero escondidos, percebido? (dou alguma entoação a esta parte final, com um ligeiro "arregalar" de olhos). Ela acena-me que sim, mostrando algum alívio no seu sorriso nervoso.

Contamos ao pai, que passado uma hora me diz que ainda não ter encaixado a situação muito bem, mas concorda com o seguimento que lhe dei (menos mal, pensei eu).

O irmão, depois de ficar amarelo com a notícia (sim, ele é muito protetor em relação à irmã) aprova a escolha dela: ele é bom rapaz, escolheste bem,diz em tom de sentença encerrando o assunto. Esta aprovação provoca uma descompressão extra na rapariga: afinal não é nada de outro mundo (vejo eu escrito no rosto dela).

Tudo em ordem, passa ela a informação numa mensagem via Whatsapp. Também ele já tinha contado a novidade à mãe. "Muito bem, meu filho" foi a reação. Normal, penso eu, é mãe de um rapaz, para ela não é problemático. A minha concordância não era tão simples, ia com regras, ao que o rapaz responde (na volta do correio): "Tudo bem, ainda somos novos".

Esta aparente maturidade para alguém tão jovem, deixa-me inegavelmente satisfeita. Começa um novo ciclo: A minha filha já namora, vamos ver o que acontece agora...

 

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